Por Igor “Corvus Corax” Sartorato – do Dungeon Compendium

Um tempo atrás rolou uma breve discussão sobre os clérigos numa comunidade de AD&D do Orkut, e curiosamente a questão sobre a natureza dos clérigos já havia dado pano pra manga em uma discussão com amigos. Frente a tantos “sinais”, não havia como eu deixar de falar aqui sobre o assunto. E o assunto do qual eu quero tratar é a natureza dos clérigos.
No Dungeons & Dragons, o que é um clérigo? As respostas mais comuns costumam ser coisas como “é um padre” ou “é um santo”. No entanto, vamos observar as raízes do D&D e suas versões mais antigas e ver se essa visão se sustenta.
Dizem os boatos que o que viria a se tornar o clérigo do OD&D surgiu na campanha de Dave Arneson como uma nemesis para um personagem vampiro (personagem este chamado Sir Fang). Assim sendo, esse proto-clérigo teria sido inspirado principalmente na personagem Abraham Van Helsing, protagonizado por Peter Cushing nos antigos filmes de horror da produtora Hammer.
Tendo como arquétipo inicial o famoso caçador de vampiros de Drácula, o clérigo tinha como função principal exatamente combater mortos-vivos. Coisa que por sinal os clérigos fazem muito bem, desde os níveis mais básicos, e qualquer um que já precisou utilizar a habilidade de afastar mortos-vivos de um clérigo pode atestar isso.
Já ao ser incorporado ao D&D, o clérigo recebeu de Gary Gygax uma roupagem mais medievalizada, e encarna um papel intermediário entre homem-de-armas e mago (ou melhor falando, entre o fighting man e o magic-user). No OD&D o clérigo era um guerreiro quase tão apto quanto o fighting man (tabela de ataque muito similar, pontos de vida muito próximos, pode usar qualquer armadura, e ainda que só utilize armas contundentes, todas as armas causam o mesmo dano), e ao mesmo tempo podia lançar magias (mas todas as suas magias eram do tipo utilitárias, e não ofensivas, e ainda contavam com as prodigiosas magias de curas), ainda que em quantidade bem menor do que o magic-user.
Com isso, dá pra ver bem que o aspecto bélico do clérigo é bem salientado desde o início. Isso explica sua função mecânica de meio-termo entre mago e guerreiro, mas ainda deixa a desejar sua função arquetípica. O clérigo no OD&D já não é mais apenas um caçador de vampiros que utiliza sua fé como arma. Mas então, o que ele é?
Na descrição da classe no Player’s Handbook do AD&D 1ªed, tem-se o seguinte:
“This class of character bears a certain resemblance to religious orders of knighthood of medieval times. (…) The cleric is dedicated to a deity, or deities, and at the same time a skilled combatant at arms.”
Traduzindo:
“Esta classe de personagem guarda uma certa semelhança com certas ordens religiosas de cavaleiros dos tempos medievais. (…) O clérigo dedica-se a uma divindade, ou divindades, e ao mesmo tempo é um combatente habilidoso”
De forma bem similar, o Player’s Handbook do AD&D 2ªed, ainda que inclua o clérigo no grupo dos sacerdotes (ou Priests, no original) descreve a classe da seguinte forma:
“The cleric class is similar to certain religious orders of knighthood of the Middle Ages: the Teutonic Knights, the Knights Templars, and Hospitalers. These orders combined military and religious training with a code of protection and service.”
Traduzindo:
“A classe clérigo é similar a certas ordens religiosas de cavalaria da Idade Média: os Cavaleiros Teutônicos, os Cavaleiros Templários, e os Hospitalários. Estas ordens combinavam treinamento militar e religioso com um código de proteção e serviço.”
Por essas descrições, vemos que o clérigo é muito mais um guerreiro de uma ordem monástica do que um sacerdote propriamente dito. Não parece que a intenção de Gary Gygax era simular sacerdotes ao criar a roupagem da classe. Fazendo um paralelo com a Igreja Católica, clérigos seriam Cavaleiros Templários e não padres.
Bom, posso concordar que as versões mais antigas do clérigo eram sim inspiradas no arquétipo dos membros de certas ordens militares religiosas, entretanto, acho que agora esse arquétipo está muito mais para os Paladinos, já os Clérigos teriam se tornados Sacerdotes das ordens religiosas (não necessariamente padres). E um detalhe interessante é que na edição mais recente do D&D (A 4.0) o arquétipo do clássico Van Helsing está muito bem construído em uma nova classe expandida que seria o Vingador, que se encaixa perfeitamente na descrição dada.
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Igor "Corvus" Reply:
julho 14th, 2010 at 22:35
João, você não deixa de ter razão.
Mas na minha opinião, essa mudança no papel dos clérigos foi mal-feita, apenas uma mudança no argumento sem que no entanto nada fosse verdadeiramente alterado. Assim, é dito que eles são sacerdotes, mas a classe ainda continua sendo altamente militarizada e muito pouco sacerdotal.
.-= Igor “Corvus”´s last blog ..O Argumento Definitivo! =-.
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[...] Afinal, O Que é Um Clérigo? – Parte 1 (publicado no World RPG Fest, dia 13) – dicas para criar e interpretar um dos mais difíceis e carismáticos arquétipos de Fantasia Medieval. [...]
João e igor vcs tem rasam
Em uma sociedade marcada pela fé, o controle do saber cristão assumia significado especial.Os clerigos tinham a responsabilidade de cuidar da vida espiritual, como os monges e os bispos.
Tudo tem uma resposta. Eu sei um pouco de cada coisa da idade média estudei muito então é melhor que vcs me critiquem ai vou saber a minha capacidadeeeeee amo vcs lindos!!! shuauhsauhuauahuahuahuaha
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