“Após a queda do gigante Hiroshi, as grandes Bestas do Inferno voltaram-se para o restante do grupo, seria esse o fim de tudo?”

Com as armadilhas no lugar, Yuo não conseguia acreditar no que via, a morte de Hiroshi era algo inesperado, mesmo conhecendo-o, sabendo que ele não tinha ligação com o sobrenatural, que ele era apenas um samurai avantajado, achava que o gigante poderia ser invencível, indestrutível. Vê-lo morto era algo frustrante e triste. Mas a batalha devia continuar.

Yuo deu a ordem para que todos recuassem, posicionando atras das armadilhas. Mas algo estava errado, pois as feras não os atacavam, apenas espreitavam, como se não quisessem que eles fugissem. Pareciam caçadores rondando a sua presa, prestes a abatê-la.

O grupo que se aproximava, distante, havia parado. Não se sabia o que estava havendo. Enquanto isso os 31 samurais restantes aguardavam a morte, que caminhava calmamente a sua frente, rondando suas almas, esperando a oportunidade de levá-los embora.

- A briga das bestas contra Hiroshi, provavelmente, causaram algum temor no inimigo, só pode ser isso, acho inacreditável que eles estando em grande maioria não nos ataquem. – Comentou Fujiki.

- É estranho, parece que querem apenas brincar conosco. – disse Yuo.

Quando Yuo terminava, percebeu que um homem, um único homem havia saído do meio daquela horda de monstros e se aproximava, calmamente, carregando um cajado, com vestes semelhantes a quimonos na cor branca e com detalhes vermelhos.

Quanto mais ele se aproximava, mais Yuo sentia um frio na barriga. O suor escorria pela sua face, a respiração ofegante mostrava um certo nervosismo.

Ao olhar, Fujiki reparou que o homem era já um senhor de idade, cabelos cumpridos brancos, rosto apático, notava-se claramente que aquele cajado ajudava-o a caminhar, não era apenas alguma arma.

Ele para a alguns metros das armadilhas, levanta levemente o cajado e o bate contra o chão. Todos sentem uma brisa um pouco mais intensa e as armadilhas se desmontam como se não fossem nada. Todos se assustam e o velho homem continua a sua caminhada até eles.

- Não quero perder muito tempo com os senhores. – esbravejou o velho – Vocês mostraram ser samurais de grande força e coragem enfrentando meus soldados, mas sabem que em breve todos serão aniquilados, então vim lhes fazer uma proposta.

Todos se entreolham querendo entender o que acontecia diante de si.

- Me chamo Takashi. E minha proposta é a de que se unam ao meu exercito e, além de sobreviverem, serão amplamente recompensados com terras, status, riqueza e tudo aquilo que desejarem. Acho uma proposta justa, visto a coragem de vocês.

Yuo olha enfurecidamente para Takashi e recusa-se a acreditar naquilo que acabara de ouvir.

- Inacreditável a sua petulância velho. - grita Fujiki – Se quisemos nos entregar havíamos feito isso antes, vamos lut… - nesse momento Yuo interrompe.

- Acho que cada um pode decidir por si só, queremos um tempo para conversarmos, ai lhe daremos a resposta.

Fujiki olha sem acreditar no que acabou de ouvir, ele ainda tenta intervir, mas é interrompido novamente por Yuo.

- Já lhe disse Fujiki, vamos discutir e abrir uma votação, todos devem opinar.

Em sua mente, Fujiki não consegue entender o que Yuo estava fazendo, ele que era o maior defensor da honra e da fidelidade levantando a hipótese de pensar em se unir àquele exército maldito? O que estava acontecendo?

…Continua…