
“A morte ecoa pela floresta e nós sabemos o que nos cerca. E eles logo nos alcançarão. Será uma pena não podermos ver o amanhecer novamente.”
Estas foram algumas palavras pronunciadas, quase como um sussurro, pelo senhor Hida Yuo, samurai de elite, pertencente ao clã Caranguejo, dotado de alto poder militar, e que, atualmente, era a maior patente naquele pequeno e seleto grupo de sobreviventes, algo em torno de 32 samurais, que se mantinham em fuga durante os últimos três dias, mas essa noite a batalha contra o inimigo era inevitável.
A batalha que antecedera o dia de hoje havia sido a mais cruel e sangrenta das últimas décadas, pois o batalhão do Clã Caranguejo, um dos maiores e mais poderosos de Rokugan, havia sido dizimado pela excelente estratégia de seus inimigos e foram reduzidos a praticamente nada. O pior era a sensação de não ter escapatória, pois sua rota de fuga era o caminho dos inimigos e eles sabiam que hora ou outra iriam encontrar-se e a batalha, provavelmente, mataria a todos eles.
A noite segue e eles permanecem a caminhar. Três dias e três noites de caminhada incessante. Todos estão visivelmente abatidos e cansados, os inimigos continuam a se aproximar. A cada instante ouvem o rufar de tambores e os toques de cornetas.
- Esses monstros não descansam?! – gritou Kuni Fujiki – Como isso é possível?!?
O silencio do grupo demonstrava que todos queriam entender essa e muitas outras perguntas inexplicáveis no momento. Foi quando todos começaram a ouvir e sentir a marcha do exercito inimigo estremecer o chão, com passos firmes e coordenados, o que fez com que Yuo tomasse a palavra para si.
- Senhores, o momento esta chegando. Nós sabemos o que esta por vir, mas não podemos nos entregar e sim lutar, pela honra, pela glória, por nossas famílias que se encontram distantes daqui, mas no caminho dessa massa selvagem e sem escrúpulos que se aproxima e, claro, pelo nosso clã, que nos proporcionou essa épica batalha e mostraremos que nós somos tão fortes quanto aqueles que os esperam em nossas cidades, gerando terror em seus olhos ao verem nossos milhares de soldados reunidos, apenas esperando-os para a morte. – Ele respira profundamente – Não vamos decepcionar a todos! Nem nosso clã e nem nossos inimigos!
De alguma forma essas palavras inspiraram muitos membros do grupo, deixando-os revigorados e demonstrando vontade de levar quantos inimigos forem possíveis consigo.
As cornetas dos inimigos soavam a assustadoramente em conjunto com os tambores, mas visivelmente aquilo não preocupava aqueles 32 homens, que estavam prestes a morrer e agora não fugiam mais e sim aguardavam o inimigo, com suas armas e vestimentas de guerra, como se aquele punhado de samurais fossem o maior exercito que vagou pelas terras de Rokugan.
Ao longe as tochas iam se aproximando, a marcha acelerada do inimigo chegava cada vez mais perto, começava a se ouvir os gritos e gemidos daqueles que se aproximavam. Não havia como descobrir quantos inimigos estavam ali, mas eles eram muitos, ao ponto de não se conseguir distinguir o fim da coluna monstruosa que se encontrava a frente deles. Os tambores param, as cornetas e a marcha também. Agora o silêncio da floresta impera. O som de animais volta a ser audível. A respiração de cada um dos 32 soldados é sentida e escutada pelo companheiro ao lado. Yuo olha para o lado e vê um homem de grande porte, talvez o maior dos presentes, com lágrimas nos olhos e as mãos tremulas, mas Yuo sabia quem ele era. Amigos de longa data, Hida Hiroshi era um dos mais destrutivos samurais que já houve na família Hida e hoje não seria diferente. Ele não tinha medo, não conhecia a dor e estava preparado para atropelar qualquer ser que cruzasse seu caminho naquela noite. O por que dele chorar vocês devem se perguntar? Ele sabia que aquela seria a maior e mais difícil batalha de sua vida e se para isso ele tivesse de morrer, morreria satisfeito.
- Venham malditos…levarei muitos de vocês comigo, enquanto tiver forças para ficar em pé matarei quantos cruzarem meu caminho… – resmungou Hiroshi, empunhando firmemente seu machado colossal – Yuo, eu espero que tenha tido a mesma satisfação que eu tive ao poder lutar ao seu lado por tantos e anos.
Yuo respondeu com apenas um sorriso.
A marcha recomeça, mas não é todo o exercito que se desloca e sim um pequeno pelotão, de uns 400 ou 500 homens. O céu estava límpido e a lua iria iluminar aquela noite até o ultimo samurai de Caranguejo que ali estivesse em pé.
continua…
Nossa camarada, muito legal em. Irei dar continuidade nos demais textos. Meu blog, aqui linkado, tbm é de histórias escritas por mim. Se puder e quiser fique avontade para comentar tbm.
Cenario de Rokugan é d+
.-= Rafael Jacauna´s last blog ..A Batalha de Escobar Parte 2 =-.
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