Por Bruno Libonati

Já no começo da sessão os personagens, enfim, chegaram à vila de Vintever, ainda em dúvidas se deveriam apenas buscar cavalos ou enfrentar as crias das trevas e a aberração que as criou.

Os moradores estavam ressabiados com a presença do grupo de aventureiros e principalmente dos elfos e, assim, fecharam suas portas e janelas diante da passagem do grupo.

Não obstante, os jogadores tiveram uma horinha de paz para que se alojassem na estalagem local, comessem uma sopa quente e tomassem uma cerveja fresca. Logo alocaram Eshara que ainda estava fraca e debilitada por causa da febre, advinda da infecção de seus ferimentos. Mas mesmo assim, Eshara lhes explicou tudo o que aconteceu, a confusão ocorrida no festival, as trocas de empurrões entre Coalan, o ferreiro local e Harralan, um batedor élfico, o que somente cessou com a chegada de Tarl Dale, o guardião da Vila. Contou também que foram expulsos de Vintiver sem maiores danos, apesar das juras de vingança que Harralan proferiu contra todos os humanos, exolicou, ainda, que na noite posterior os elfos anciões designaram Harralan para ser o batedor da caravana e este, atraído por forças sobrenaturais, foi até uma fortaleza em ruínas onde encontrou o cárcere de um demônio da vingança, Mythal, pelo qual fora possuído, levando à ruína os demais elfos que o acompanhavam. Agora Harralan antedia pelo nome Mythalen, o filho da vingança. Noites mais tarde, Mythalen e seus caçadores voltaram e atacaram o comboio dos elfos, fazendo-os prisioneiros e matando quem tinha coragem de os enfrentar. Eshara fora capturada, mas escapara da fortaleza e foi perseguida e atacada por elfos corrompidos, até conseguir se refugiar no estábulo onde foi encontrada pelos heróis.

Os momentos de quietude para o grupo logo tiveram fim, pois uma turba de cidadãos, liderada pelo ferreiro Coalan, foi pedir aos personagens que os elfos lhes fossem entregues para serem condenados pelo mal que à vila causaram e ainda causam em virtude da maldição proferida. Aos poucos, com muita negociação, o anão conseguiu acalmar os cidadãos furiosos e dispersar a aglomeração de fronte à estalagem. Depois desse incidente o ferreiro e alguns outros moradores ainda se reuniam na praça, mas a chegada do guardião da vila, que patrulhava as fazendas limítrofes, pôs fim a qualquer pretensa confusão. Tarl Dale, soldado veterano e agora guardião de Vintever, foi logo conversar com os aventureiros e, na estalagem, dividiu com os mesmos um bom copo de cerveja e um pouco de torresmo com pão. Explicou para eles a sua versão sobre as rusgas havidas no festival entre humanos e elfos, mas foi bem claro ao dizer que o temperamento irritadiço do ferreiro levou à confusão.

O grupo conversou mais um pouco entre si, até que o mago, inspirado pelo álcool, convenceu todos a tentarem erradicar os males que a aberração causara, trazendo novamente paz à vila e possivelmente a toda aquela região do mapa.

Depois disso, a noite transcorreu tranquila para quase todos os heróis, que enfim desfrutaram de um teto e uma cama confortável.

Quase todos porque Malcon, ou seria Albion, não conseguiu dormir muito bem, apreensivo com o que poderia ocorrer a si e à Eshara.

Na manhã seguinte, os jogadores, convencidos pelo mago e guiados pela elfa, decidiram encarar a aberração e erradicar os problemas que esta vinha causando.

Depois de algumas horas caminhando, os heróis foram interpelados pelo ferreiro e mais um grupo de cidadãos que queriam a custódia dos elfos de qualquer maneira e, embora, o grupo tennha tentado diplomaticamente contornar a situação, Coalan não conseguiu segurar seu ímpeto violento e partiu para cima de Espadina, mas antes dele deferir o golpe, Stonecliff, sempre muito atento, abriu-lhe um talho considerável em seu peito, fazendo-o cambalear para trás com o peso do espada e se ajoelhar de dor. Os demais cidadãos resolveram por fim ao perrengue, levando o companheiro ferido de volta à vila.

Os personagens seguiram rumo quando, perto da hora do almoço, encontraram o comboio dos elfos abandonado na floresta. Evidentes eram as marcas de batalha no local e depois de uma criteriosa análise, os heróis acharam o rastro dos elfos cativos e o seguiram floresta adentro. No cair da noite, um grupo de caçadores da ira, asseclas de Mythalen, cercaram o grupo e se aproveitando das trevas da mata, circundaram os heróis, causando-lhes medo e aflição. Depois de os perseguirem por certo tempo, resolveram mostrar suas fuças cruéis e vindos das sombras atacaram o grupo. Nesse embate o amado mascote Darth Vader que foi morto e vários heróis sucumbiram diante dos ferimentos. Mas a duras penas o grupo derrotou os inimigos e sobreviveu para continuar sua empreitada. Com ferimentos graves e cansados, os heróis resolveram armar acampamento logo em seguida. A noite foi fria, embora tranquila e logo com os primeiros raios de sol, o grupo se por novamente em marcha, ainda envoltos pelas névoas matinais da floresta. Logo depois do almoço chegaram a um precipício, onde uma árvore recém derrubada fazia as vezes de ponte. Mas a travessia não foi tão tranquila quanto os heróis imaginavam, pois a passagem era guardada por corvos de sangue, também frutos da corrupção emanada pela liberação de Mythal. Para facilitar as coisas, nosso anão engenheiro teve a maravilhosa ideia de fazer uma corda guia, esticada entre as raízes arrancadas e os galhos do outro lado. A corda foi habilmente instalada por Eshara e foi, para muitos, a diferença entre a vida e a morte.

Após mais uma tarde de marcha, os heróis avistaram, num baixio ao longe, a fortaleza em ruínas que Mythalen tomara para si e onde, supostamente, os elfos estavam aprisionados. Malcon foi sozinho explorar o local no afã de encontrar alguma armadilha ou denunciar inimigos de guarda. Mas as únicas impressões que pode coletar foram a angústia e o desterro dos elfos enclausurados. Ainda incerto sobre a presença do inimigo, Malcon requisitou a companhia dos demais membros do grupo, garantindo-lhes que seria seguro avançar. Como esperado, nos primeiros salões arruinados não encontraram resistência alguma. A ruidosa exploração, em que pese os esforços de Eshara e Malcon para manter o silêncio e com ele o elemento surpresa, logo se dirigiu para a masmorra no subsolo e após descerem as escadas os heróis foram surpreendidos por esqueletos reanimados com o espírito da ira, que funcionavam como guardiões para Mythalen. Defrontados e derrotados os esqueletos abriram caminho para as celas, onde estavam os elfos valeanos. Após uma primeira desconfiança dos heróis em relação à incolumidade da alma dos cativos, resolveram os libertar diante dos apelos e garantias dadas por Orellis, o ancião e líder de toda a caravana.

Mythalen, porém, não estava em seu refúgio. Rumara para Vintever, iniciar seu plano de vingança contra a humanidade. Um elfo batedor prometeu levar o grupo o mais rápido possível para o vilarejo, através de uma atalho pela floresta. No caminho, os personagens enfrentarão mais um resultado da corrupção em torno da liberação do demônio, uma aranha gigante. Apesar do entrave, os jogadores seguem caminho para tentar impedir que Mythalen leve a cabo seus planos vingativos e assim salvar o vilarejo de Vintever. Será que serão bem sucedidos nesta missão?? Será que arranjarão os cavalos para o pobre Gormir, o anão mercante, que os espera na estrada??

No final da sessão, ao contrário do recomendado pelo guia do mestre, resolvi passar os heróis de nível para que todos aprendam como faz e tenham a chance de experimentar suas novas habilidades.

Na próxima sessão teremos o inevitável embate do grupo com Mythalen, o elfo possuído e o fim da aventura proposta.