Troy estava com os números do quadrado mágico na cabeça, mas não conseguia resolvê-lo. Na verdade ele tinha resolvido de muitas formas, mas gostaria de encontrar alguma que fosse a “mais” correta.

Bob, percebendo que ainda havia lugares na cidade que eles não tinham investigado, resolveu ir até o conservatório de música. Não que ele esperasse alguma grande informação, mas como bom leitor de Arthur Conan Doyle, ele sabia que muitas vezes a informação está onde se menos imagina.

Chegando ao conservatório, logo no pátio, encontraram um sujeito muito estranho. Parecia que ainda vivia na década de 70, pois estava vestido como um hippie e cercado de instrumentos musicais de todo tipo. Ao se aproximarem dele, o sujeito já foi logo dizendo:

- Aí gente boa, se vocês vão procurar pela chefia aqui no conservatório, pode tirar o cavalinho da chuva! Não tem ninguém de importante aí não, foram todos para uma apresentação em Berlin. Mas se quiserem me ajudar numa música que estou compondo, ficaria bom. Eu estou tentando achar uma melodia legal para compor o solo de uma música, mas não estou achando o instrumento certo. Vejam aí… – e o sujeito sentado debaixo da árvore começa a tocar uma música muito bonita Bob, não percebeu beleza nenhuma na melodia, entretanto Mark ouvia atentamente e mencionou:

- Ei parceiro. Acho que posso te ajudar. Você tem clarinete aí nos seus instrumentos?

- Aqui comigo não, mas sei que na sala de instrumentos ali do conservatório tem. De uma conferida lá, não tem ninguém agora. – disse o rapaz

Mark correu até a sala e verificou que os instrumentos que estão ali era visivelmente refugos dos estudantes. Todos em péssimo estado e cheios de poeira. Com um pouco de demora, ele encontrou onde possivelmente estariam as clarinetes. Ao se aproximar encontrou uma caixa semelhante à que ganharam quando venceram a disputa no quartel.

Ela estava toda cheia de pó e desbotada. Parecia esquecida ali há muito tempo. Ao abrir, encontrou um pequeno pino, do tamanho de pinos de pulseira de relógio, só que com uma abertura no meio e as pontas em forma de semicírculo.

Por ter visto uma caixa daquela antes, Mark guardou o pino, pegou a clarinete e foi ajudar o músico. Ao demonstrar o solo que poderia ser somado à melodia, o pseudo-hippie foi ao delírio. Adorou a sugestão e prometeu dar os créditos dessa música ao investigador da STA quando gravasse seu CD.

Quando estavam indo embora, avistaram uma placa que indicava um mosteiro que existia por ali. Como não tinham muitas opções, consideram essa e se dirigiram para lá.

Chegando lá foram bem recebidos pelos monges; e estes os convenceram a passar uns dias ali para refletir sobre a vida e a existência do homem no mundo. Embora os investigadores pudessem declinar do convite, como não estavam tendo muito sucesso em sua busca, a decisão foi unânime em dar uma parada para refletir.

Alguns dias se passaram e Sara estava desesperada pela falta de notícias dos investigadores – já que no mosteiro não tem sinal para celular. Os últimos dias estavam sendo realmente frutíferos, tanto em relação ao auto-conhecimento quando ao relaxamento.

Entre os devaneios que Troy tinha, logo depois do café da manhã, ele conseguiu entender uma das grandes questões da existência humana, que ficavam expostas em quadros e dizeres pelo mosteiro. Um das placas dizia:

Qual de todas as coisas no mundo é a mais comprida e a mais curta, a mais veloz e a mais lenta, a mais divisível e a mais extensível e a mais lamentada, sem o qual nada pode ser feito, que devora tudo que é pequeno e enobrece tudo que é grande?

E num insight fulminante ele entendeu que se tratava do tempo. Ao sair para contar a seus amigos de sua descoberta, percebeu que não era o único a estar esfuziante; Bob, outrora tido como o mais abobado dos três, estava embasbacado com o que tinha feito.

No fosso, perto dos dormitórios, havia uma placa dizendo “Jogue aqui o único objeto que representa seu maior inimigo e seu maior amigo simultaneamente”. Muitos dos homens que residiam no mosteiro não se atreveram a jogar nada ali, pois ainda não tinham captado a essência da questão. Bob entendeu que a única pessoa que prejudicá-lo muito ou o auxiliar seria ele mesmo, por isso jogou um espelho no fosso.

Troy, Bob e Mark reunidos, conversavam sobre o quanto a estadia ali estava sendo boa, mas da necessidade de retornarem ao caso. O monge superior, ao ouvir todo o caso, de como se desenvolveram ali dentro e do problema que está os esperando na cidade, resolveu tentar ajudar.

- Boa tarde irmãos! Sem querer pude ouvir a conversa de vocês. Acho que está na hora de retornarem à tarefa que lhes foi confiada. Creio que poderei ajudar. Há muito tempo, um homem deixou um anel aqui e pediu para guardá-lo ate o momento certo. Nunca souve muito bem qual seria esse momento, mas creio que seja agora. – disse o monge, lhes entregando um anel antigo. Não era um anel normal, parecia que havia uma jóia nele e foi tirada.

Assim que o monge lhes entregou o anel, algumas peças do quebra-cabeça do caso foram se juntando. Imediatamente, os três pegaram os objetivos que tinham conseguido e se puseram a pensar. Viram que os pinos encontrados com o Prefeito, no conservatório e na disputa do quartel, se encaixavam no anel – e não só isso. O anel se tornou um tipo de chave para a abertura que tinha no cubo.

No mosteiro mesmo, eles montaram a “chave-anel”, encaixaram no cubo e giraram. Para o espanto de todos, o cubo se abriu, como se fosse uma figura plana, e eles puderam perceber qual era o lugar da estrela que encontraram com o pessoal do centro de pesquisas.

No espaço vazio, onde se colocaria a estrela, eles puderam ver alguns símbolos:

O monge, por ainda estar ali por perto, viu quando colocaram a estrela na cruz e menciou:

- Ora, é uma réplica da cruz da igreja matriz? Por que a que tem lá é igualzinha a essa, só que bem maior.

Nesse momento, os três se entre olharam e partiram em disparada para a igreja.

Chegando lá, não quiseram saber de cerimônias. Entraram, e subiram para o piso de cima – sem mesmo avisar o padre que estava presente.

No andar superior, perceberam que realmente a cruz se assemelha muito, e que se não fosse o monge eles nunca desconfiariam, porque a estrela fica na parte de dentro da igreja. Olhando de perto, puderam perceber alguns símbolos – que lhes pareciam familiares:

Ao verem o conjunto de símbolos mais uma vez, lembraram – se do que encontraram quando passaram pela biblioteca e encontraram um tipo de alfabeto que traduziria o que está escrito. Entretanto, não fazia muito sentido a tradução, nem dos símbolos da cruz pequena, nem da grande cruz:

O trio se debruçou sobre essas letras para tentar entender o que elas diziam. Eles sabiam que estavam quase no fim do caso.

Troy, olhando a disposição das letras, se lembrou dos quadrados mágicos que resolvera na universidade. Logo entendeu que o conjunto de letras menor dizia: Noscantos. Entretanto aqui ainda não fazia sentido para nenhum deles.

Para piorar a situação, Troy tinha encontrando inúmeras possibilidades de resolver o quadrado 4×4, e a grande maioria das respostas, ao serem traduzidas, não levavam a lugar nenhum. Talvez por intervenção divina, uma senhora entra na igreja conversando com seu netinho. Provavelmente ensinando-lhe o valor da fé. Era possível ouvir claramente o que ela dizia, e uma das coisas que ela falou várias vezes foi: Os últimos serão os primeiros!

Troy percebeu que essa poderia ser a resposta. No quadrado 4×4, ele ainda não tinha tentado começar com o número 16 (último) e terminar com o 1 (primeiro). Rapidamente ele chegou à uma diferente conclusão que já tinha chegado.

Dessa forma, ficou mais fácil. O que o quadrado 4×4 trazia era: In Asas Anunciação. Talvez com essa revelação, o primeiro quadrado tenha ficado mais fácil para entender também. Perceberam que se tratava de Nos Cantos.

Uma coisa era certa: as postas indicavam para dentro das asas da anunciação. Sendo que A Anunciação é um quadro muito famoso de DaVinci. Mas onde estariam essas asas para serem verificadas. E o que é a pista “Nos Cantos”? – os investigadores pensavam silenciosamente.

Mark, que estava coma vista embaçada de tanto olhar para o papel disse par aos colegas:

- E se esse “nos cantos” se referir às letras que estão nos cantos do quadrado 4×4?

- Bem, teremos algumas siglas, mas como descobrir qual delas se refere à alguma coisa? – Comentou Bob

Eles se puseram a elencar as possíveis siglas formadas com as letras A, I, S e O.

Enquanto iam combinando as letras, Sara liga para Troy, exigindo explicações pelo sumiço de dias e alguma informação do caso.

O agente explica todas as descobertas, passo a passo. A ruiva se mostra eufórica por tantas descobertas e pede para que retornem ao escritório imediatamente, pois com as siglas ela pode ajudar.

De volta ao escritório, o trio expõe as possibilidades de siglas. Algumas logo são descartadas. Depois de algum tempo estudando as possibilidades Sara diz:

- Aqui! Acho que encontrei. OASI pode se referir à Organização de Artes Sacras Internacionais. Esse centro é conhecido não só pelo acervo artístico, mas pelos objetos que serviram de modelo para os artistas. Já ouvi dizer que as asas que Leonardo DaVinci pintou foram baseadas em asas reais de uma águia. Segundo alguns estudiosos, pintar asas de ave de rapina no anjo foi uma maneira que DaVinci achou para protestar contra a Igreja. Pois bem, acho que vou para lá! Podem ficar tranqüilos que o dinheiro de vocês será depositado em suas contas até amanhã de manhã.

Poucos dias depois, o trio vê a notícia no jornal, que fora encontrado alguns rascunhos de inventos inéditos de DaVinci que estavam escondidos em algumas asas empalhadas de águia. Na notícia aparece Sara, dando entrevistas para repórteres do mundo todo. Ela diz que se não fosse os agentes da STA essa descoberta não seria feita!

Satisfeitos com a divulgação de seu trabalho, e com o sucesso no caso, Troy diz para Bob:

- E agora? O que faremos?

E Bob responde:

- Ora bolas! Vamos esperar outra bonitona entrar aqui e pedir para gente salvar o mundo!