E para começar a brincadeira, nada como uma histórinha que irá atiçar os corações dos bons e velhos jogadores de RPG, aqueles que, desde 1980 e alguma coisa, joga ou mestra. O grande Dungeons & Dragons!
Confesso que não é meu sistema favorito, até porque tive poucas oportunidades de joga-lo, mas tenho de reconhecer sua importância dentro do mundo dos jogadores de RPG, que formou o que conhecemos hoje como Role Playing Game.
O D&D (como é conhecido carinhosamente pelos fãs!) teve a sua primeira aparição em 1974, publicado pela TSR (Tactical Studies Rules), trazendo todo o conceito, usado até hoje, de jogar com personagens individuais e batalhas corpo-a-corpo, contrariando a moda da época, já que a sensação eram os War Games com suas batalhas campais e o controle de grupos ou soldados.
Voltado ao mundo de fantasia medieval, o sistema teve forte influencia das antigas lendas europeias, mais especificamente dos povos ao norte. Cada raça e classe veio de alguma história, lenda ou conto da região. Outra influencia importante a ser lembrada é o do grande escritor J. R. R. Tolkien, com seu fabuloso “O Senhor dos Anéis” e suas vertentes.
Com o passar dos anos o D&D recebeu várias versões, sendo a mais aclamada pelos saudosistas a série Advanced Dungeons & Dragons, que contou com duas edições e várias expansões, quando ainda era publicada pela TSR.
Mas um belo dia, em meados do fim da década de 90, a, então, imponente Wizards of the Coast e seu Magic – The Gathering comprou a TSR, incorporando o D&D aos seus produtos, visando um novo público alvo e uma grande rentabilidade. Incorporação que rendeu um restruturamento total do sistema, deixando a desejar para a velha guarda, que ainda idolatrava o AD&D e via o novo D&D como a perda da essência original do jogo. Isso ocorreu em 2000.
Surge ai o D&D 3ª Edição com o seu sistema D20, adorado por alguns e odiado por outros. Não conseguiu agradar o público em geral, mas não pelo novo sistema incorporado, mas sim pela falta de detalhes dos cenários, das possibilidades, etc. Seu sistema era mais prático que seus antecessores e buscava a utilização de apenas um tipo de regra para cada cenário, sendo ele, inclusive, aberto a todos, onde qualquer pessoa poderia usar o sistema como desejasse a fim de criar novos cenários utilizando a mesma mecânica de jogo, o que gerou diversos RPGs de qualidade mundo afora.
Tentando uma breve redenção organizacional e descritiva, a WotC resolve lançar uma versão revisada e atualizada do D&D, que ficou amplamente conhecida como D&D 3.5, que usava a mesma base da versão anterior e que tentava preencher as lacunas nas regras, onde podia achar algumas conflitantes, problemas nas descrições, entre outras falhas. Mas ainda sim não chegou ao nível do material que era publicado pela TSR. Mas agradou e se tornou o xodó de uma geração.
A atual edição, D&D 4ª, está sendo bem empregada, especialmente na tentativa de trazer jogadores mais novos para o meio, já que simplificou diversas regras e corrigiu alguns problemas do passado. Essa edição é a que joguei algumas vezes, gostei do que vi, apesar da idéia de ficar preso a mesmice do livro não me agrade muito, e o jogo flui de forma tranquila.
Mas o grande problema dessa edição é o apelo comercial exagera criado pela WotC, com seus lançamentos contínuos de novas versões (exemplo: Livro do Jogador, Livro do Jogador 2…), pois perde-se assim o ideal inicial, onde era necessário apenas os três livros básicos para se jogar (Livro do Mestre, Livro do Jogador e Livro dos Monstros.) e cria um ciclo vicioso onde a cada 3 ou 4 meses é lançado uma “atualização” aos livros, te obrigando a compra-los.
Durante todo esse periodo, o D&D ainda gerou um desenho (Caverna do Dragão.), dois filmes (que é ruim demais por sinal.) e diversos jogos eletrônicos.
Atualmente estou lendo o Livro do Mestre para aprofundar meus conhecimentos no sistema e, em breve, poderei falar um pouco mais sobre o mais famoso RPG de Fantasia que conhecemos.
Abraços a todos e até a próxima.
Boa história, resumida, mas boa. Somente faltou alguns pontos:
1 – O fator comercial que a TSR não tinha (e isso é um engano, dado a quantidade exagerada de material redundante lançado) foi a causa de sua falência natural, coisa que a Wizards – detentora de card games – soube aproveitar, mas nem tanto.
2 – A 4ª Edição trouxe uma nova linha editorial para o sistema, principalmente foi uma grande jogada comercial da Wizards (agora, subsidiária da mega empresa de brinquedos Hasbro). A quantidade de livros não chegou nem a 10% dos lançados na 3ª Edição, e nem a 1% dos lançados na 2ª. E visto isso, a Wizards/Hasbro tomou caminhos “internerdicos”, disponibilizando sempre material para assinantes da sua principal plataforma de comércio, o DDInsider.
3 – D&D transformou a cultura na década de 1980, e vem sendo hoje referência no que é hobby de roleplay, mesmo tendo sido adequado para as novas gerações. Designer de RPG acompanham o avanço no jogar, e D&D acompanhou – mesmo que não tenha agradado a todos – essas tendências.
Abraços!
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Só deixa eu apontar alguns detalhes, coisa que muita gente se engana mesmo:
“trazendo todo o conceito, usado até hoje, de jogar com personagens individuais e batalhas corpo-a-corpo, contrariando a moda da época, já que a sensação eram os War Games com suas batalhas campais e o controle de grupos ou soldados.”
Na verdade há registros de tentativas similares anteriores ao D&D.
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“Voltado ao mundo de fantasia medieval, o sistema teve forte influencia das antigas lendas europeias, mais especificamente dos povos ao norte. Cada raça e classe veio de alguma história, lenda ou conto da região. Outra influencia importante a ser lembrada é o do grande escritor J. R. R. Tolkien, com seu fabuloso “O Senhor dos Anéis” e suas vertentes.”
Gygax já comentou que pegou pouco de SdA. E as influências eram mais de contos e romances de fantasia (coisa que já existia antes do D&D) do que lendas/contos tradicionais. Tanto que vários monstros (como os goblins) são bem diferentes de como aparecem nas lendas.
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“sendo a mais aclamada pelos saudosistas a série Advanced Dungeons & Dragons”
Completa com ‘no Brasil’. Lá fora, o Ad&d não é mais adorado que outras edições e nem é visto como old school por muita gente. Além disso, ele é visto por muitos como a versão que iniciou o aumento de complexidade das regras.
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“Mas o grande problema dessa edição é o apelo comercial exagera criado pela WotC, com seus lançamentos contínuos de novas versões (exemplo: Livro do Jogador, Livro do Jogador 2…), pois perde-se assim o ideal inicial, onde era necessário apenas os três livros básicos para se jogar”
A WotC parou com essa linha de LdJ 1, 2, 3, já faz algum tempo.
E mesmo naquela época, nunca foi preciso ter todos esses livros pra jogar. Só o trio inicial (Jogador, Mestre e Monstros). Esses outros livros eram somente suplementos, que traziam mais raças/classes/etc, não o sistema-base.
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César, com certeza houveram outras tentativas de jogar wargames com personagens únicos, e se instaurar os primórdios do role-play antes do D&D. Mas “oficialmente”, o D&D foi o primeiro jogo lançado com esse intuito, e o primeiro a “dar certo”, por assim dizer.
E Gygax realmente afirmou que tirou muito pouco de Tolkien, mas é possível ver claramente que esse “muito pouco” ainda apresenta coisas de grande significância (como os halflings, ents e rangers por exemplo). A principal razão dele negar o fato é por questões de direito autoral. Mesmo assim, realmente Gygax não tirou mais de Tolkien do que de outros autores como Jack Vance ou Fritz Leiber.
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