Por: Samuca Limaverde
Olá a todos!
Meu nome é Samuca Limaverde, tenho vinte e nove anos, sou Biólogo e coleciono X-Men há tanto tempo que as datas já se embaralharam na memória (embora eu tenha certeza de estar próximo do meu aniversário de vinte anos de colecionador). Coleciono X-Men e apenas X-Men porque na minha opinião nenhum supergrupo, ou herói isolado, se compara a eles. Exceto raras exceções, e em sua maioria por tempo limitado, os Filhos do Átomo são os únicos heróis que protegem uma sociedade que “os teme e odeia”, sem esperar o reconhecimento e a gratidão que estão sempre à disposição dos demais super-heróis.
Faço questão desta apresentação para deixar claro que não é qualquer um que está escrevendo esta crítica. Mais do que isso, se dependesse da minha vontade, o universo dos X-Men das HQs teria sido integralmente transposto para o cinema desde o primeiro filme. Contudo, há muito me conformei com o fato de que a estória é por demais complexa, os personagens por demais numerosos, e os interesses dos produtores por demais… bem, outros.
Assim, ao assistir aos “X-Men” e “X2” de Bryan Singer, surtei de alegria ao ver que o medo e o preconceito direcionados aos mutantes, elemento-chave que sempre me atraiu, haviam permanecido intactos em meio a tantas outras modificações na estória. E pela ausência desse mesmo elemento-chave (bem como por outras tantas razões), fiquei irado ao assistir a “X-Men: The Last Stand” e a “Wolverine”. E, sinceramente, eu estava quase certo de que “X-Men: First Class” iria pelo mesmo caminho dos dois últimos filmes da franquia mutante…
Ledo engano! Ledo saboroso engano!
“X-Men: First Class” não apenas é um ótimo filme de ação, ele é o melhor filme mutante de todos (e, parcialidade à parte, ouso dizer o melhor filme de super-heróis da atual safra hollywoodiana)! Com uma trama cuidadosamente construída repleta de efeitos especiais de arrepiar e atuações fantásticas encabeçadas por Michael Fassbender, James McAvoy, Kevin Bacon e Jennifer Lawrence, o filme mostra a que veio desde o primeiro instante ao recriar a cena do despertar dos poderes do jovem Erik Magnus Lehnsherr em Auschwitz, apenas para saltar diretamente para a luxuosa mansão onde o jovem Charles Francis Xavier dorme tranquilamente naquele mesmo instante.
E justamente essa perfeita transposição dos passados diametralmente opostos de Xavier e Magneto torna o filme ainda mais especial. Sempre definidos como dois lados de uma mesma moeda, não há melhor maneira de representar isso do que acompanhando Magneto na caçada internacional aos assassinos da mãe dele enquanto Xavier tranquilamente estuda em Oxford e nas horas vagas descaradamente usa cantadas de efeito para seduzir moças desavisadas.
Porém, verdade seja dita, a trama do filme está repleta de acontecimentos e personagens que em nada respeitam a cronologia das HQs (p. ex.: Hank McCoy adulto na década de 1960, e o primeiro encontro de Xavier e Magneto ocorrendo em Miami ao invés de em Tel Aviv, dentre outros). E isso normalmente me deixaria irado enquanto fã, mas a essência da maioria das personagens é respeitada de tal forma e a trama é tão concisa e bem construída que a raiva logo passa em meio a momentos célebres como os diálogos de Xavier com Magneto, o recrutamento da “primeira classe” do título e o início do treinamento dos primeiros X-Men.
E, se servir de consolo, vale à pena lembrar que desde o princípio a franquia mutante nos cinemas sempre foi um universo à parte, com estórias inspiradas nas HQs, mas nem sempre fiéis às mesmas. Na realidade, o mesmo pode ser dito deste filme em relação a alguns fatos previamente expostos nos demais filmes mutantes, no melhor exemplo de retcon (abreviação do termo em inglês “continuidade retroativa”, isto é, alterações propositais em fatos previamente estabelecidos). Agora, se essas modificações são movidas por pressões por parte do estúdio ou se pela vontade do diretor Matthew Vaughn e do agora produtor Bryan Singer (que também assinam o roteiro) de aparar algumas pontas soltas e através disso melhorar a trama somente o tempo e os próximos filmes da franquia dirão.
Qualquer que seja a razão, no entanto, a introdução de Mística na nova continuidade enquanto irmã de criação de Xavier não apenas faz direta alusão ao Fanático, meio-irmão do Professor e um dos maiores inimigos dos X-Men (fatos totalmente ignorados em “X-Men: The Last Stand”), como também serve de perfeito termômetro na relação entre Xavier e Magneto, com Mística hora pendendo mais para um, hora pendendo mais para outro, criando assim uma dinâmica toda especial e inesperada.
E, no fim, graças a uma atuação perfeita por parte da belíssima Jennifer Lawrence, a qual me compeliu a adorar e ao mesmo tempo sentir pena de uma das maiores e mais sangue-frio vilãs dos X-Men, Mística rouba a cena servindo ainda de elo entre os telespectadores e o dilema entre Xavier e Magneto enquanto é levada do Sonho do primeiro ao Pesadelo do último, fazendo com que inconscientemente você se pergunte como encararia o medo e o preconceito irracionais contra os mutantes. Seguindo Xavier ou Magneto?
A idiossincrasia aqui, conforme há muito exposto por Stan Lee é que Magneto nunca foi concebido como um vilão. Para o criador dos X-Men e de praticamente todo o universo Marvel (juntamente com Jack Kirby), o Mestre do Magnetismo sempre fora um dos maiores vilões de todos os tempos porque se a situação fosse inversa ele seria justamente um de seus maiores heróis. E a beleza desta situação é trazida à tona magistralmente no clímax do filme quando Magneto, crescido no pior dos campos de concentração nazista da II Guerra Mundial, reage da única forma que lhe ensinaram, criando para sempre um abismo entre ele e Xavier, embora a amizade de um pelo outro sempre os tenha feito se sentirem como irmãos, o que nos propiciou tantos momentos marcantes, seja no cinema ou nas HQs. Momentos estes que espero, e pelo visto, continuarão a ocorrer.

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