
Saudações! Como havia dito no outro post, hoje tentarei esclarecer um pouco sobre a utilidade ou brincadeira do RPG. Mas antes de iniciar a breve reflexão, gostaria de agradecer à todo equipe do Dia D RPG em Macapá, em especial ao Daniel e ao Gilson – o evento foi muito bom!
Nesse último dia 11 tive a oportunidade de conversar com várias pessoas sobre as possibilidades de aplicações do RPG na educação, e de alguma forma, discutimos sobre essa questão da utilidade ou brincadeira.
Para quem não se lembra, um pequeno flash back.
Com base em leituras de Santo Agostinho e Rubem Alves, as coisas podem ser divididas em dois tipos:
As úteis: coisas que fazem sentido no nosso cotidiano, são práticas, são ferramentas, tornam nossas vidas mais fáceis – são guardadas na “caixa de ferramentas”
As prazerosas: coisas que não tem utilidade, não servem para nada. Não querem chegar a nenhum lugar, elas são o fim em si mesmo. Elas não são sérias, servem apenas para dar prazer e divertir, como os brinquedos. Por isso, são guardadas na “caixa de brinquedos”.
O questionamento que encerrei o outro post dizia: o RPG na sala de aula é uma ferramenta, que serve para alguma coisa ou um brinquedo, que tem o fim em si mesmo?
Pois bem, o que tenho visto com minha prática e com minhas pesquisas me fez chegar à seguinte conclusão: O RPG quando é aplicado nas salas de aula, com conteúdos curriculares a serem cumpridos e tudo mais ele é uma ferramenta. Isso não significa que ele é chato ou cansativo ou desinteressante. Me explico. Um jogo para ser considerado jogo, entre outras coisas, deve ser voluntário. Numa sala de aula, se o professor disser que haverá o RPG, por mais que os alunos gostem, é uma imposição. Mesmo que 99% da sala aprove, o 1% da sala o descaracterizaria pois participariam mesmo não querendo. Além disso, o professor o utiliza realmente como um meio, uma ferramenta para potencializar a capacidade de ensinar dos alunos. Por mais sutil que seja, há um direcionamento maior por parte do mestre/professor para que os alunos percorram alguns caminhos específicos.
Eu diria que o RPG na sala de aula é uma ferramenta com a maior cara de brinquedo: que diverte, entretêm, mas não deixa de ser uma ferramenta – algo útil.
E como o RPG pode ser considerado um brinquedo na educação?
Resposta: quando ele for praticado voluntariamente e desvinculado de conteúdos curriculares. Antes que alguém pergunte onde entra a educação nesse caso eu já digo. Educação não é apenas ensinar a ler, fazer contas e decorar regras e leis. Eu diria ainda que essa é a menor parte da educação.
Educação, desde que se tem notícias, sempre serviu para ensinar ao jovem como ser adulto, e sendo assim, creio que respeito, altruísmo, justiça, trabalho em equipe, saber se expressar é uma fatia maior da educação – e tudo isso se consegue jogando RPG.
Nunca pensaram em clubes de RPG? Assim como tem o time de futebol da escola, o clube do Xadrez e coisas do gênero, por que não o clube do RPG? Nesse caso sim, o RPG pode ser considerado puro e exclusivamente brinquedo!
Eu diria também que o RPG, enquanto ferramenta, é uma excelente opção para os professores utilizarem em suas aulas, entretanto, é enquanto brinquedo que o RPG se mostra mais “poderoso” nos quesitos comprometimentos, interesse, argumentação, leitura…
Bom, por hoje é só pessoal! Muito sucesso decisivo a todos vocês!!!
Tive uma experiência estranha com o RPG uns anos atrás. Comentamos com nossa professora de artes, eu e um outro colega RPGísta, que jogávamos, e ela decidiu nos dar espaço para uma aventura breve, tendo a ideia de trabalhar movimentação e espaço. Algo próximo de artes marciais, como ela explicou ao final da aula.
Não penso que tenha sido de todo desastrosa a aula, mas não foi a mesma coisa que RPG normalmente é. Acabei por levar personagens prontos – isto é, fichas de PJ montadas – e inserir os 12 jogadores / 6 personagens em uma aventura pré-montada. Eu me diverti um pouco, mas era possível melhorar a abordagem com o jogo e suas relações com a aula.
Pra mim, RPG é uma brincadeira. Mas por trás de toda brincadeira, há um fundo de educação.
.-= Paulo “Kruger”´s last blog ..Proposta de redação 3 =-.
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Beleza, Matheus!
Estes relatos baseados em experiência estão sendo muito úteis e me ajudando a pensar e repensar determinados caminhos.
Gilson
.-= Gilson • RPG • Educação´s last blog ..Orientação de TCC e mais uma entrevista =-.
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Me lembrou um trecho de meu TCC:
“Quanto às condições relativas à participação no jogo, (o RPG) é uma atividade essencialmente livre, tanto no sentido de liberdade quanto no de voluntariedade, ou seja, tanto no sentido de excluir qualquer violência externa, pois jogar não pode ser obrigatório, sob pena de perder seu caráter de diversão, quanto no sentido de não ser acidental, pois só pode ser considerado um jogador aquele que decidiu conscientemente participar do jogo. Um dos principais motivos que impedem o Dungeon Master de abusar de seu poder é o fato dos jogadores participarem do jogo voluntariamente, podendo ameaçar o mestre de não participarem em nenhuma outra experiência subsequente caso ele não seja justo em suas decisões, exatamente como eleitores organizados num sistema democrático participativo.”
(Na época eu ainda não conhecia os ARG – Jogos de Realidade Alternativa.)
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Paulo Kruger e Matheus Vieira, talvez a “debandada de alunos” ocorra por causa do efeito constatado no seguinte artigo: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/preguicosos_se_saem_melhor_em_atividades_divertidas.html
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Muito bom Rafael! Acho que é por aí mesmo! Parabéns pela citação de seu TCC e pela “pesquisa” que te levou ao artigo da UOL.
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