Creio que o texto de hoje não será o mais extenso que já escrevi; talvez até soe como um texto de auto ajuda; entretanto ele está na minha cabeça pedindo para ser escrito há um bom tempo. Decidi atendê-lo.

Certo dia eu li, em um livro do Luis Fernando Veríssimo que o Clark Kent é a fantasia do Super-homem. Faz sentido. Pensem, o super-herói, na verdade, se chama Kal-El (nome dado pelos seus pais biológicos em seu planeta natal). Ao chegar aqui, recebe o nome de Clark Kent e passa a agir como tal. Sobre as desventuras que se passa na vida dele enquanto jovem ou até mesmo adulto deixo para os mais entendidos e fãs esclarecerem possíveis dúvidas.

O ponto em que quero chegar é: aquele jornalista pacato do Planeta Diário, pacífico, tímido, praticamente um perdedor é na verdade a maior salvação da Terra, um herói capaz de voar, soltar raios pelos olhos, parar trens com as mãos entre outras peripécias.

Novamente, Kal-El se disfarça de um humano comum e qualquer, mas na verdade ele é um ser muito grandioso dotado de grandes poderes.

Sei que vai soar meio “auto-ajuda”, mas quando li o texto de Veríssimo, instantaneamente eu pensei: Se o Clark Kent é a fantasia do super-homem, as pessoas “normais” são a fantasia de quem?

O Kal-El só age e se comporta como Clark porque seria muito complicado se ele “fosse ele mesmo”. Seria uma “quebra da ordem social” se um jornalista saísse voando do nada. Então ele mantém sua identidade real secreta.

Não quero dizer que as pessoas possam sair voando e parando disparos de pistolas com o peito. Nada disso. Mas quero dizer que muitas vezes somos muito melhores do que realmente aparentamos.

Aí entra o RPG. Como assim? – você pergunta. Veja, não será verdade que todo guerreiro, mago, paladino entre outros personagens de RPG são projeções ou extensões dos seus jogadores? Com eles nós não experimentamos ou realizamos coisas que não teríamos oportunidade ou coragem de fazer no mundo real?

Entendem agora a questão? Se o Clark Kent é a fantasia do Super-homem, quem é a identidade real de cada RPGista? Qual personagem com poderes, vontades e desejos se esconde atrás de cada cidadão comum que joga RPG?

Creio que meu objetivo com esse texto seja apenas dois. O primeiro é bem clichê, breja, piegas e manjado. Mas fazer o que? De alguma forma todos nós somos um pouco disso tudo. Voltando, o primeiro objetivo seria para podermos refletir sobre essa coisa que a sociedade muitas vezes nos impõe e acaba nos apagando. Não podemos ser os heróis com nossas individualidades, especialidades e capacidades porque muitas vezes poderia ir contra os preceitos que a sociedade dita que é o certo ou melhor. Aí acabamos sendo nós mesmo quando montamos nosso personagem de RPG. Acho difícil que alguém admita isso, que o personagem é ele mesmo. Mas não é pra admitir mesmo. É só pra pensar!

O segundo motivo ou objetivo do texto tem fundamento totalmente educacional – especialmente para professores que aplicam ou pensam em aplicar o RPG em suas aulas. Prestem bastante atenção nos personagens que seus alunos irão elaborar. Desde a escolha da classe e raça até o histórico da vida daquele personagem. Esse herói que o aluno criará pode lhe falar muito mais sobre ele, sobre como ele se sente, do que a própria mãe dele.

Use o personagem a seu favor para conhecer o aluno. Seus desejos, vontades, fraquezas e afetos. O fato dele perceber que você está mais próximo dele, que você o entende e o consegue enxergar “além do Clark Kent” possivelmente vai fazer com que ele crie um laço afetivo maior com você, fazendo com que ele aprenda melhor.

Bem… era isso! Acho que exorcizei a idéia que estava aqui me incomodando!

Se alguém concorda ou discorda do que foi dito, ficarei muito feliz em saber suas opiniões!

Tenham uma boa semana!